segunda-feira, 9 de julho de 2018

1. *então serei obrigado a continuar elogiando seu sorriso*

Novas folhas, novas flores, na infinita benção do recomeço. 
(Chico Xavier).

No mundo atual, na maioria das vezes, um recomeço é necessário. Quando paramos para pensar na vida e vemos que nossos sonhos foram deixados de lado ou que aquilo que vivemos não nos agrada tanto quanto antes é necessário tomarmos alguma atitude ou viveremos sendo prisioneiros de nós mesmos. E foi isso que me fez tomar a atitude mais louca da minha vida, eu decidi voltar a morar no Brasil com minha mãe e minha irmã. Para quem não está entendendo vou dar uma breve explicação, meu nome é Caroline Martinez Battersen, meus pais se separaram quando eu tinha apenas 2 anos e meu pai me trouxe para morar com ele na Califórnia, ele é a razão da minha vida, a pessoa mais importante do mundo para mim, ele foi o meu pai e minha mãe, a pessoa que sempre cuidou de mim, aquele que passava noites em claro quando eu, ainda criança, estava com uma febre ou qualquer minimo incomodo que fosse. Se eu senti falta da minha mãe e irmã na minha vida? Não. A atual esposa de meu pai fez muito bem o papel materno em minha vida, quando precisei de conselhos, naquela idade da adolescência que todas as garotas precisam de uma figura maternal para uma ajuda, ela estava lá para mim. Minha verdadeira mãe eu sei quem é, durante esses 21 anos conversei com ela algumas vezes, mas nunca nos vimos pessoalmente então é complicado eu dizer algo sobre. A amo por ser minha mãe, mas não é na mesma intensidade que amo aqueles que me criaram. Mas NÃO, eu não tenho magoa alguma dela, até porque meu pai diversas vezes, desde criança, me incentivou a ir vê-la nas férias, mas eu não sentia vontade alguma, nossa "não-relação" é culpa de ambas as partes, foi uma falta de interesse mutua então não há motivo algum para ressentimentos. E em relação a minha irmã, bom, ela é como uma completa estranha para mim, não vou negar. Sei quem é apenas por fotos e por ter falado com ela duas vezes na vida.
Se eu não tenho proximidade dessas duas mulheres por que tomei a decisão de ir morar com elas? Porque eu estava me sentindo incompleta, por mais que eu tentasse preencher esse vazio de diversas formas nada resolvia e foi então que em uma ligação com minha mãe ela propôs que eu fosse morar com elas por um tempo. Admito que de inicio eu recusei, afinal eu não tinha proximidade NENHUMA tanto com ela quanto com sua outra filha, imagina morarmos na mesma casa? Mas em uma conversa sincera ela disse que seu coração estava pedindo para tentar uma aproximação entre nós. Conversei muito com meu pai e minha segunda mãe, e eles me apoiaram na ideia, concordaram que uma mudança na minha vida era necessária e talvez fosse bom eu ter um pouco mais de contato com a outra parte da família. 
Minha vida toda foi na Califórnia, foi onde conheci meus melhores amigos, meus poucos amores, minhas melhores lembranças. É o lugar que amo e sei que é meu verdadeiro lar. Meu primeiro idioma é o inglês, mas falo fluentemente o português graças ao meu pai que desde criança me ensinou.
Olhei uma ultima vez para meu quarto, conferindo minuciosamente cada pedacinho para ver se não estava esquecendo nada importante.
Eduardo: filha, está na hora de irmos ou você vai perder seu voo - ouvi a voz calma do meu pai, me virei e o vi encostado na porta, com a mão na maçaneta, também olhando para o quarto, agora bem mais vazio - prometo que não vamos encostar em nada até você voltar.
Caroline: tirem o pó por favor, quando voltar não quero encontrar meu quarto igual aquelas casas abandonadas de filmes de terror - soltei uma risadinha. Peguei minha bolsa e sai do quarto, esperei meu pai fechar a porta e fomos juntos até o carro, onde minha madrasta, ou segunda mãe, como a chamo, já nos aguardava.
Ellie: suas malas já estão todas guardadas? - assenti ao lembrar que meus amigos sairam daqui minutos atrás para irem ao aeroporto e levaram junto deles minhas malas - vamos então - abriu a porta do carro para eu entrar.
O trajeto até o aeroporto foi rápido, para minha tristeza, pois eu sabia que meus minutos com eles estavam acabando. Assim que pisamos no aeroporto senti meu coração começando a ficar apertado, agora a ficha estava começando a cair, meu pai, minha segunda mãe, meus amigos, tudo estaria ficando a 10.141 km de distancia. Olhei para os lados e o movimento era grande, pessoas se abraçando, alguns abraços e choros de alegria pela volta de uma pessoa amada, outros choros e abraços de despedidas, pessoas correndo para perderem seus vôos, crianças olhando tudo ao redor sem entender o real significado de tudo aquilo. Meus olhos se fixaram em um grupo reunido a poucos metros de mim, meus melhores amigos.
Hannah: eu prometi que não ia chorar, mas não vou aguentar me desculpa - a olhei e vi as lágrimas caindo em seu rosto, mesmo ela tentando limpa-las rapidamente.
Caroline: eu também não vou aguentar então está perdoada - soltei uma risadinha em meio a tantas lágrimas que não preocupei em segura-las e a abracei forte, um abraço que dizia tudo. "Eu te amo" "se você demorar muito tempo por lá eu vou te visitar e te bater por me abandonar" "vê se não esquece de nós quando fizer amigos por lá" "manda foto de tudo para nós" foram algumas das milhares de coisas que ouvi repetidamente nos últimos dez minutos de despedida. Ali estavam as pessoas que eu mais amava, meu pai Eduardo, minha segunda mãe Ellie, minha melhor amiga Hannah, meus dois melhores amigos Elliot e Kevin e meu primeiro, único e agora ex namorado Jack. Eu e Jack nos conhecemos ainda crianças, com apenas seis anos, e com o passar dos anos nossa amizade foi se fortalecendo, aos 15 anos decidimos namorar de mentirinha, ele era o capitão do time de futebol americano, eu uma líder de torcida e então decidimos brincar de namorarmos para nos sentirmos como nos filmes clichês da Disney, mas essa brincadeirinha se tornou séria e decidimos então nos dar uma chance, namoramos por três anos e meio e terminamos porque nossa amizade falou mais alto.
Meu voo foi chamado pela segunda vez e eu sabia que ali era o momento da despedida, abracei todos novamente, um por um e disse o quanto os amava, o quanto iria sentir falta e o mais importante que logo estaríamos juntos novamente, deixei meu pai por ultimo, me despedir dele seria a coisa mais triste do mundo.
Eduardo: eu te amo minha filha, estou muito orgulhoso de você pela sua coragem - falou sorrindo em meio a algumas lágrimas que ele deixou cair.
Caroline: eu te amo papai, obrigada por ser a melhor pessoa do mundo, obrigada por me criar com tanto amor e dedicação, eu prometo voltar logo e com muitas coisas boas - falei com calma para que ele entendesse devido a minha voz já embargada pelo choro e o abracei com toda minha força. Nos afastamos quando percebi que realmente deveria ir ou iria perder o voo. Limpei as lágrimas que caiam e fui caminhando lentamente até o portão ao qual eu deveria ir, olhei para trás uma ultima vez, dei um tchauzinho com as duas mãos para eles e me virei para voltar a andar, mentalizando que agora não tinha como voltar atrás, meu recomeço está chegando, minha nova vida, novas emoções, novas descobertas e se Deus quiser, novas felicidades...
Após pouco mais de 12 horas de voo+30 minutos em um taxi finalmente cheguei ao endereço dado pela Flavia, ou melhor, minha mãe. Ela se prestou a ir me buscar, mas eu disse que não era necessário, eu me conheço e sei que precisaria de um tempo para criar coragem de revê-la, ou vê-la pela primeira vez, afinal não tenho lembrança alguma dela.
Parei em frente a portaria do hotel, conferi duas vezes no papel para ter certeza que não estava em endereço errado. Calma Carolina, tudo vai dar certo, vocês vão se dar bem, você vai se dar bem com a sua irmã também, repeti mentalmente três vezes para tentar acreditar no que estava dizendo, mas meu coração acelerado e as mãos tremulas não deixavam eu me enganar, o nervosismo estava evidente. Respirei fundo e mesmo com todo o nervosismo segurei minhas duas malas e as arrastei até a portaria, pedi para que o porteiro avisasse que eu estava ali e em poucos minutos ele liberou minha entrada e gentilmente me ajudou com as malas até o elevador.
Caroline: muito obrigada, você realmente me ajudou muito - sorri para mostrar o quão grata eu estava - aliás, qual seu nome?
Carlos: Carlos, qual seu nome senhorita?
Caroline: Caroline, mas pode me chamar de Carol, creio que vai me ver muito por aqui ainda.
Carlos: desculpe a intromissão, mas vai morar com a dona Flavia? São parentes?
Caroline: legalmente e biologicamente eu posso dizer que ela é minha mãe - soltei uma risadinha - se tudo der certo, sim, irei morar aqui - pausei por alguns segundos, talvez não seja uma má ideia eu perguntar um pouco sobre ela antes de finalmente conhece-la, os porteiros sempre conhecem os moradores, certo? - vou me arrepender da decisão de morar com ela?
Carlos: Dona Flavia é uma pessoa maravilhosa, sempre educada e simpática - sorri aliviada, graças a Deus - a filha dela é um pouco mais difícil de lidar.
Caroline: como assim?
Carlos: infelizmente algumas pessoas acham que dinheiro é tudo e se sentem superiores - pausou - me desculpe por estar dizendo isso, é anti-ético.
Caroline: não se desculpe, eu que estou pedindo as informações - sorri - então ela é o tipo menina mimada? - ele assentiu meio sem jeito - e eu preocupada com a mãe.. Bom, vou ir lá encarar minha realidade, obrigada novamente pela ajuda, adorei te conhecer seu Carlos - entrei no elevador, apertei o botão para a cobertura e fui orando para que o elevador fosse o mais devagar possível. A porta se abriu, segurei minhas malas e as arrastei para fora do elevador, é agora Carolina, não tem como fugir. Respirei fundo duas vezes, soltando todo o ar que prendi inconscientemente e então dei dois toques leves na porta, sem saber se havia uma campainha ou algo assim, não me levem a mal, nunca morei em um apartamento, não sei como as coisas funcionam por aqui.
Apertei minhas duas mãos tentando segurar um pouco meu nervosismo, fiquei olhando fixamente para a porta, o que me fez reparar em detalhes mínimos e o que me chamou a atenção foi uma marca na porta como se algo tivesse a atingido, teria acontecido alguma briga e alguém socou a porta? Meu Deus e se elas forem agressivas? Eu vou morrer na primeira oportunidade, eu não sei nem dar um tapa forte quem dirá um soco que quase afunde uma porta... Arregalei os olhos ao pensar em alguém socando meu rosto contra a porta.
Fui tirada do meu desvaneio ao ouvir o barulho da pobre, ah pobre porta, ser aberta, levantei a cabeça e encarei a imagem parada a minha frente, ela era como nas fotos, parecia muito mais jovem que sua idade real, com um sorriso radiante como se eu estar ali fosse a coisa mais esperada por ela.
Flavia: minha filha, você finalmente chegou - sua voz era animada e antes que eu pudesse dizer algo a senti me puxar para um abraço, o que me deixou sem reação - desculpa, forcei a barra? - falou se afastando lentamente.
Caroline: não, desculpe, eu estava um pouco em choque - tentei sorrir e retribui o abraço, ainda meio sem jeito, é tão estranho eu achar estranho abraçar minha própria mãe????
Flavia: vem, entre, eu te ajudo com as malas - abriu espaço para que eu entrasse e colocou minhas malas para dentro, a deixando do lado da porta. Olhei ao redor e me surpreendi com o bom gosto da decoração da casa, a estrutura por si só já é belíssima, o que me chocou, pois não achei que um apartamento conseguia ser tão elegante assim... Eu realmente preciso mudar minha visão sobre apartamentos.
Caroline: uau, é realmente lindo aqui.
Flavia: sei que não é nada comparado a onde morava, mas fico feliz que tenha gostado - sorriu e fez um gesto para que eu me sentasse ao seu lado no sofá - você está tão linda, é ainda mais linda do que pelas fotos que já me enviou.
Caroline: obrigada, digo o mesmo, você é ainda mais linda do que aparentava pelas fotos.
Flavia: temos tantos assuntos, quero saber tanta coisa sobre você, mas você quer conhecer seu novo quarto antes? Aliás, sua irmã saiu com o namorado, mas logo estará de volta para você conhece-la.
Caroline: pode me mostrar o quarto apenas para eu deixar as malas e tomar um banho? Estou realmente precisando disso - ela concordou - você poderia por favor me passar a senha do wifi? - pedi sem jeito - é que aqui não pega o sinal e eu queria avisar ao papai que cheguei bem.
Para meu alivio ela estava me parecendo ser uma mulher muito compreensiva, me passou a senha do wifi, me ajudou a levar as malas até o quarto e para minha surpresa ela havia preparado um quarto especialmente para mim, colocando algumas decorações que ela sabia que eu gostava, algo que me emocionou bastante, não vou negar. Após me dizer onde estava tudo guardado no quarto ela me deu a privacidade necessária para que eu fizesse minhas coisas. Peguei meu celular e enviei uma mensagem ao meu pai e aos meus amigos
Após feito isso, abri uma de minhas malas, peguei uma troca de roupa e fui até o banheiro para fazer minha higiene.
Agora, já de banho tomado e com o coração aliviado por ter avisado a todos que eu estava bem, sai do quarto e fui até a sala, onde vi a Flavia sentada assistindo a nada mais nada menos que Harry Potter, minha saga favorita do mundo todo,
Caroline: você gosta dessa saga? - perguntei animada e me sentei ao seu lado.
Flavia: sim, me encantei pelos livros e dei uma chance aos filmes - ela riu baixinho ao ver minha cara de surpresa - está mais relaxada agora?
Caroline: sim, eu precisava mesmo de um banho após tantas horas de voo - olhei para uma mesinha ao lado e vi uma foto dela com um homem - é seu novo marido? - perguntei sem pensar e senti meu rosto esquentar ao perceber o que perguntei - desculpa, fui invasiva.
Flavia: não precisa se desculpar, talvez demore um pouco, mas quero que você se sinta confortável aqui, essa casa também é sua - sorriu - é meu noivo, estamos juntos a mais de dez anos, vivemos quase como casados, mas ainda não casamos. Os planos são para que não passe do ano que vem. E você, deixou algum namorado para trás?
Caroline: não, tive apenas um namorado na vida, que é um dos meus melhores amigos hoje em dia - peguei meu celular, fui até a galeria e comecei a mostrar a ela algumas fotos - essa é minha melhor amiga, Hannah, tiramos em um festival a duas semanas.
Flavia: vocês parecem estar se divertindo bastante - assenti - essa menina é linda.
Caroline: sempre falei que acho ela parecida com a barbie - soltei uma risadinha e comecei a procurar outras fotos - esses são dois dos meus melhores amigos, Elliot e Kevin, essa foto foi tirada a dois anos atrás, pouco antes de irmos em uma festa que entramos de penetra. Era aniversário do ex-namorado da Hannah, foi ela que tirou essa foto inclusive.
Flavia: e não descobriram vocês lá?
Caroline: sim - ela riu - mas o Jack, o meu outro melhor amigo, era convidado e nos ajudou nessa - fui para a próxima foto - essa aqui não lembro quando foi tirada, mas estamos nós cinco nela.
Flavia: todos seus melhores amigos se conhecem então? - assenti - que bonito, vocês formaram uma rodinha de melhores amigos.
Caroline: sim, eu os amo muito, são os melhores amigos que alguém poderia ter - falei sorrindo ao me lembrar deles.
Flavia: e o tal Jack? É o seu ex-namorado? - assenti - me mostre uma foto dele.
Caroline: essa foi tirada no nosso ultimo ano do colegial, bem clichê né? O capitão do time de futebol e a líder de torcida - soltei uma risinha e fui para a próxima foto - essa foto nós tiramos antes de ontem, a família dele fez um jantar de despedida.
Flavia: a que amor - sorriu vendo a foto - estava conversando com seu pai esses dias, falei para ele que sua vinda para cá talvez seja ótima para sua irmã.
Caroline: sério? Por que?
Flavia: ela está precisando de uma influência diferente, ela não pensa no futuro, só tá querendo saber de sair, beber, viajar - pausou - arranjou um namoradinho jogador a poucas semanas e saiu do controle, até fui conversar com ele e ele disse que concordava comigo e que já tentou conversar com ela sobre isso também.
Caroline: se ela não ouviu nem o namorado, imagina eu, uma irmã que ela nem conhece.
Flavia: talvez ela seja meio relutante no inicio, mas com o tempo vai ceder. Ela é um amor de garota, mas está um pouco ludibriada com essas novas amizades, com essa nova vida que está levando.
Então é isso? Minha nova vida vai ser mais um tipico filme clichê onde tenho a irmã rebelde?
Flavia: você estava fazendo faculdade, não estava? - mudou de assunto ao perceber que não havia mais o que dizer.
Caroline: sim, medicina. Tranquei, mas pretendo voltar - sorri - antes de vir eu pesquisei alguns cursos para fazer por aqui também, já entrei em contato com as faculdades de perto e marquei alguns testes para semana que vem.
Flavia: uau - falou e eu percebi que ela me olhava admirada, o que devo admitir me deixou orgulhosa - qual o curso?
Caroline: comercio exterior, são cursos pequenos, até porque não sei quanto tempo vou ficar por aqui. Mas pelo menos não vou ficar parada.
Após dito isso, ficamos em um silêncio estranho, ainda não me sentia confortável o suficiente para sair conversando desembestadamente sobre tudo com ela, assim como imagino que para ela seja a mesma coisa.
Flavia: então... O que acha de pizza para o jantar? Quase nunca comemos porque a Paloma não é muito fã, mas ela não vai jantar aqui hoje.
Caroline: ela não gosta? - falei demonstrando toda minha indignação, afinal quem não gosta de pizza????? - Eu aceito, estou morrendo de fome.
Flavia: tem uma pizzaria aqui perto que é maravilhosa, eu e meu noivo sempre pedimos a moda da casa.
Caroline: pode ser essa, não sei o quem tem nela, mas vou aceitar ser surpreendida - soltei uma risadinha tímida.
A vi pegando o telefone para ligar, mas tentei não ficar prestando muita atenção então peguei meu celular para dar uma zapeada nas redes sociais. Curti algumas fotos no instagram, dei uma olhadinha rápida no facebook e respondi alguns textinhos que meus colegas enviaram em meu inbox.
Flavia: trinta minutos para chegar - falou após desligar o telefone e antes que eu pudesse pensar em uma boa resposta ouvi gritos vindo da parte de fora, inúmeros palavrões eram vociferados por uma mesma pessoa, aliás era essa unica voz que eu conseguia ouvir, uma voz feminina. Arregalei os olhos ao ouvir o barulho da porta se abrindo e uma mulher furiosa entrando na casa como um furacão, passou reto sem olhar para os lados, tanto que nem percebeu minha presença ali.
Flavia: desculpe por isso, essa é sua irmã - arregalei ainda mais os olhos, se eu fizer isso um pouco mais eles saem de órbita, se isso é possível.
Caroline: essa garoto furiosa é a Paloma?
Flavia: vou ir ver o que está acontecendo, se importa se ficar sozinha por alguns minutos? - neguei com veemência e ela saiu em direção ao quarto. Voltei a ouvir gritos, agora vindos do quarto e logo vi a imagem da Flavia voltando, com um rosto de decepção estampado.
Pergunto ou não pergunto o que aconteceu???? 
Flavia: essa menina não tem jeito, brigou com o namoradinho porque ele não quis assumi-la, ela beijou outro na frente dele e agora decidiu sair com as amigas.
Paloma: vai mesmo ficar falando da minha vida para desconhecidos? - ouvi sua voz agora mais perto, me virei e a vi já perto da porta que a poucos minutos ela quase destruiu em sua entrada triunfal.
Flavia: essa é a sua irmã - falou com autoridade e eu fiquei encarando Paloma, para ver sua reação.
Paloma: eu não tenho irmã, sempre fui criada como filha unica e sempre vou me considerar assim - falou debochada e direcionou seu olhar para a Flavia - se ela vai ficar aqui? Caguei pra isso, só não me obrigue a ter contato com essazinha.
Flavia: chega Flavia, essa não foi a educação que te dei - falou calma e eu a olhei surpresa.. Se um dia eu sonhasse em falar com alguém da forma que a Paloma falou, meu pai já teria me botado de castigo para aprender a ter educação.. Bom, não vou dar pitaco aqui. Ouvi o barulho da porta sendo macetada novamente e percebi que Paloma havia deixado sua mãe falando sozinha.
Caroline: uau - pausei por alguns segundos, ainda em choque - isso foi intenso.
Flavia: desculpe ter tido de presenciar isso, as vezes ela passa um pouco do limite.
Para amenizar o clima começamos a conversar sobre outros assuntos, ela me contou um pouco mais sobre a família, sobre meus avós, meus tios.. Descobri que tenho dois tios, André e Bruno. André tem 43 anos, é casado e tem um filho da minha idade e Bruno é o mais novo dos três 31 anos e recém casado com um outro homem.. ahh o amor é lindo de todas as maneiras. Fui avisada também que o Victor, filho do André, e meu primo, se prontificou a me mostrar toda a cidade, amanhã teremos um almoço aqui com toda a família, para que eu comece a me familiarizar com todos...
Agora estou em meu quarto, já preparada para dormir, admito que foi uma noite gostosa e me senti bem confortável com ela, mais do que imaginei até. A pizza que ela comprou era realmente divina e percebi que estava realmente com fome quando vi que comi TRÊS pedaços sem peso algum na consciência. Nossas conversas foram ficando cada vez mais leve e em alguns momentos me vi rindo verdadeiramente de algumas histórias que eram contadas. Decidimos encerrar a noite quando vimos o horário no relógio e amanhã, no caso hoje, por já se passar das duas da manhã, ela teria de acordar cedo para resolver alguns problemas na empresa antes do nosso tal almoço familiar.
Fechei os olhos, pronta para me entregar ao mais profundo sono, mas um barulho me incomodou, para ser mais exata o barulho de alguém batendo na porta me incomodou. Esperei alguns minutos para ver se a Flavia iria até lá para ver, mas com o silêncio percebi que ela já estava dormindo em seu quarto. E se for algo sério? Para estarem batendo aqui a essa hora só pode ser alguém da família, não? Me levantei, coloquei minha pantufa, peguei o celular e sai do quarto em direção a porta principal da casa. Acendi a luz da sala, olhei pelo pequeno buraco e vi um homem, jovem, esperando impacientemente. Mesmo me sentindo estranha, abri a porta e paralisei ao ver a beleza do homem parado em minha frente.
XX: meu Deus do céu que visão do paraíso - falou me olhando de cima abaixo e senti minhas bochechas corarem - quem é você?
Caroline: Caroline, você é....?
XX: Neymar, Junior se preferir - arregalei os olhos ao perceber que era o famoso jogador de futebol de Barcelona - mas pode me chamar de seu amor se quiser - piscou e eu fiquei sem reação - Paloma tá ai?
Caroline: saiu com algumas pessoas, foi o que entendi. Quer deixar recado?
Junior: não vai ser muito amigável eu dizer pra você o que eu quero dizer pra ela - deu de ombros, entrou na casa e se sentou no sofá, mais uma coisa que me deixou sem reação - sabe se ela vai demorar?
Caroline: olha, pela raiva que ela saiu daqui, acho que sim.
Junior: ih senta aqui, eu não vou te atacar, só se você pedir - soltou uma risadinha safada e eu revirei os olhos, mas aceitei e me sentei ao seu lado - você é quem? Nunca te vi.
Caroline: filha da Flavia.
Junior: ela tem outra filha? - arregalou os olhos - Paloma nunca falou que tinha irmã.
Caroline: não tive contato com a Paloma em toda minha vida, sempre morei com meu pai. Você é o que da Paloma?
Junior: se Deus quiser nada mais - olhei confusa - dei uns beijos nela por um tempo e até achava ela maneira, mas minha paciência acabou mano, não aguento mulher que dá chilique por tudo e quer ficar grudada.
Caroline: ah sim, Flavia falou mesmo que a Paloma tem um namorado.
Junior: namorado não, ela era uma colega e ai demos uns beijos, nunca foi nada sério, só uma amizade com benefícios.
Caroline: fiquei sabendo da historia que rolou hoje - falei sem jeito e ele riu.
Junior: sobre ela beijar outro? - assenti - eu dei graças a Deus, mas vim aqui porque fiquei puto por ela ter mandado mensagem pra minha irmã falando merda, meu, quer me encher o saco beleza, mas colocar minha família no meio eu não aguento não.
Caroline: ela fez isso? Ai que chato, querer envolver família em um assunto desses é tão infantil e grosseiro.
Junior: pra você ver o inferno que ela fez.
Caroline: agora entendi porque não quis passar recado - ele riu - grandes homens, grandes problemas.
Junior: problema grande? Se você soubesse como me arrependo de um dia ter ficado com ela - balançou a cabeça - essa menina é bomba.
Caroline: eu até diria que você está exagerando, mas vi ela hoje, bem intensa eu diria - o olhei e vi que ele estava me encarando - o que foi?
Junior: fale de você agora, tem quantos anos?
Caroline: 21 e você?
Junior: 24, namora?
Caroline: não.
Junior: sorte a minha.
Caroline: sorte por que?
Junior: porque você é muito gata e eu posso tentar investir.
Caroline: você veio aqui pra terminar com a minha "irmã" - fiz aspas com o dedo - e tá dando em cima de mim?
Junior: meu coração precisa de amor - deu uma risadinha e eu não aguentei e ri junto.
Caroline: vai esperar a Paloma chegar?
Junior: eu não ia, mas com você na minha frente eu mudei de ideia.
Caroline: já que vai me fazer ficar acordada esse tempo todo ao menos de uma ideia de algo que podemos fazer.
Junior: tenho ótimas ideias - falou malicioso e eu senti meu rosto esquentar - é brincadeira, desculpa - riu - você fica ainda mais linda com vergonha.
Caroline: você não vai parar mesmo, não é?
Junior: pode ter certeza que não, prometo parar por agora se você ao menos me passar seu número.
Caroline: tenho apenas whatsapp, ainda não comprei um chip de alguma operadora daqui.
Junior: tá valendo.
Caroline: mas eu não falei que vou te passar.
Junior: então serei obrigado a continuar elogiando seu sorriso, seus olhos, seu .. coloquei delicadamente um dedo em frente a sua boca, como um sinal para ele parar de falar,
Caroline: tá, tá, eu já entendi - ele sorriu vitorioso - anota ai então XXXXXXX-XXXX - o observei anotar em seu celular - Caroline Battersen.
Junior: preciso colocar o sobrenome?
Caroline: claro, deve ter tantas Carol's que é melhor colocar o sobrenome para não se confundir.
Junior: eu coloco um emoticon de gatinha do lado para saber que é você - riu.
Caroline: essa foi a pior cantada de todas, sabia? - soltei uma risada alta e coloquei a mão na boca, com medo de acordar a Flavia - ei, você sabe jogar uno?
Junior: sim, por que? - perguntou confuso devido a minha brusca mudança de assunto.
Caroline: ótimo, vou ir pegar o meu e vamos jogar.
Junior: é sério?
Caroline: logico, se vamos ficar acordados até sabe se lá Deus que horas, temos que nos distrair com algo - me levantei - já volto - andei rapidamente até meu quarto, revirei a outra mala e para minha sorte logo encontrei o baralho.
Junior: uau que rápido - falou quando me viu já de volta.
Caroline: era para você não sentir saudades - pisquei e soltei uma risadinha antes de me sentar no chão, em frente a uma mesinha de vidro.
Junior: saiba que sou muito bom nisso - se sentou do outro lado, nos fazendo ficar frente a frente - se eu ganhar qual meu prêmio?
Caroline: deixo a sua escolha.
Junior: agora isso tá ficando interessante.
Caroline: só falei isso porque sei que vou ganhar, eu e meus amigos vivíamos jogando isso.
Junior: confiança tá alta ein? Cuidado com o tombo - mostrei a lingua - quer mostra lingua pede beijo.
Caroline: foco Junior - soltei uma risadinha e terminei de embaralhar as cartas...
...
Junior: a não, alguma coisa deu errada nisso - falou indignado, olhando para todas as cartas jogadas na mesa,
Caroline: sim, você perdeu - soltei uma risadinha - eu falei que sou boa nisso.
Junior: tá, fala o que você quer que eu faça então.
Caroline: vou deixar na conta por enquanto, vou esperar algum momento que eu precise de algo - o olhei - tira essa carinha de emburrado ai vai, foi só uma partidinha - encostei minha mão em seu rosto e ele se virou para me olhar. Olho no olho. Senti sua mão tocando a minha e ficamos nos encarando. Pude observar cada minimo detalhe de seu rosto e uau ele era realmente lindo.
Junior: se eu tivesse ganho eu iria querer receber meu premio com um beijo seu - falou se aproximando e eu fiquei em silêncio, apenas o encarando. O barulho da porta sendo aberta cortou meu pensamento e eu rapidamente me afastei.
Paloma: Junior? O que você tá fazendo aqui? - olhou para ele e depois olhou em minha direção - O que você tá fazendo conversando com essa garota?
Junior: deixa de ser mal educada Paloma eu tava aqui batendo um papo com a Carol.
Paloma: Carol? Você acabou de conhecer essa coisinha e já tá dando apelidinho?
Perai, ela me chamou de coisinha????
Caroline: vou deixar vocês conversando sozinhos, tchau Junior - peguei o baralho, me levantei e quando fui caminhar até meu quarto senti o Junior segurando delicadamente meu braço, o olhei e senti ele beijando minha bochecha.
Junior: boa noite Carol - sorriu e eu retribui o sorriso.
Caroline: boa noite Paloma - falei e sai rápido, com medo que ela pudesse me matar a qualquer segundo.
Entrei no meu quarto, tranquei a porta apenas para me precaver e me joguei na cama, pensando em tudo que aconteceu apenas nas minhas primeiras horas aqui.

Neymar pov's.
Eu estava de boa em casa, jogadão na cama, dando uma olhada no celular e marcando um role com meus parceiros pra essa madrugada, os caras estavam todos em um esquenta e depois vão pra Villa curtir um showzinho, fiquei de boa em casa porque tava precisando de umas horas de sono, com essa correria do dia a dia as vezes preciso dormir um pouco mais também né?
Recebi uma mensagem de um numero desconhecido e abri pra ver, se alguém divulgou meu número vai se ver comigo meu...

Irritado bloqueei o número, que menina louca meu, não para de me atormentar, maldita hora que fui dar uns beijos nela, um corpinho gostoso não vale a pena tanta dor de cabeça não.
Rafaella: juninho eu não aguento mais essa menina, eu vou enfiar minha mão na cara dela da próxima vez - minha irmã entrou como um furacão no meu quarto e grudou seu celular na minha cara.
Junior: ih louca do que você tá falando? - perguntei confuso e peguei o celular pra ver.. ah não. Paloma mandou mais de vinte mensagens pra minha irmã - a meu vai tomar no cu essa menina, já passou do limite isso - me levantei - vou acabar com essa palhaçada agora.
Rafaella: o que você vai fazer?
Junior: o que você acha? Vou ir na casa dela falar umas verdades pra ela, to cansado disso já meu, tá achando que é adolescente pra ficar fazendo essas coisinhas - peguei as chaves do carro, carteira e celular - ó vou ir lá e depois vou sair com os caras pra esfriar a cabeça - dei um beijo na testa dela. Sempre fomos assim, desde criança nossa mãe nos criou para sempre sermos amorosos um com o outro..
Cheguei no apartamento da Paloma e estou esperando alguém atender, se preferencia que seja a Flavia, pra eu poder contar todas as loucuras da filha dela e me livrar de uma vez por todas desse encosto. Esperei alguns minutos, nada.. Bati novamente, já impaciente, e depois de uns dois minutos ouvi o barulho da porta sendo destrancada, quando vi quem estava do outro lado fiquei abobado, a menina mais linda que já vi na vida, sem sombra de duvidas, caralho que mina gata. Inevitavelmente fiquei a olhando de cima a baixo e soltei um "meu Deus do céu, que visão do paraíso" e não menti não.
Nossa conversa durou umas três horas, descobri o nome, a idade e que ela ficaria morando ali por um tempo. Além de ser muito gata, tem um papo bacana, um humor incrível e o mais importante de tudo, reprovava as atitudes que Paloma tomou. O mais importante é que consegui o número da gata, depois de umas investidas consegui pelo menos isso, já é um começo.
Tudo estava divertido que estava até esquecendo da real razão de estar lá, até ouvir a voz do encosto, digo Paloma, me fazer voltar para a realidade e toda a raiva que eu estava sentindo. Esperei a Carol ir para o quarto, não queria que ela visse a briga que poderia acontecer ali, e encarei a Paloma.
Paloma: veio aqui pedir desculpa?
Junior: desculpa? Meu você é louca? Eu mandei você me deixar em paz e você começa a encher o saco da minha irmã.
Paloma: ela é minha amiga, só quis desabafar com ela - soltou uma risadinha irônica.
Junior: caralho Paloma deixa de ser criança, para de me perturbar, para de perturbar minha família. Aceita que eu não te quero, porra.
Paloma: mas já quis Junior, quem você pensa que é pra me descartar assim?
Junior: alguém que não aguenta suas loucuras, eu tive muita paciência com você, mas ela acabou.
Paloma: mas essa garota que você acabou de conhecer tem muita paciência né? Sentadinhos conversando, beijinho no rosto de boa noite.
Junior: meu, nem vou discutir com você, só vim avisar pra você ficar longe de mim e da minha família, se você continuar perturbando o negocio vai ficar sério - falei firme e me virei para ir até a porta e sair de perto dela, mas senti suas unhas afincarem no meu braço.
Junior: você é louca meu? - me soltei com força - não encosta em mim nunca mais porra.
Paloma: você é quem tá perdendo, escroto - gritou e eu me preocupei que alguém aparecesse ali. Sai de lá antes que as coisas piorassem, odeio me meter em briga, não brigo nem com homem quem dirá com mulher, evito sempre até mesmo aumentar a voz, minha mãe sempre me ensinou a respeitar as mulheres e estar brigando com uma aqui não é uma coisa da qual me orgulho.
Entrei no carro, vi que os caras me ligaram várias vezes, ih esqueci completamente que tinha combinado a baladinha com eles.
Entrei no grupo e comecei a ver o que tinha










Joguei o celular no banco passageiro e fui rumo a casa do Picon, depois de tanto estresse mereço relaxar com os parceiros e como estou de férias posso me dar ao luxo de não me privar de algumas coisas por esses dias.

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